quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Se estiver triste vá assistir uma comédia

Li o livro chamado "O cérebro emocional *" (1996, Joseph Ledoux)

Ele explica como as emoções são processadas no cérebro.

"O aprendizado de determinada situação ou estado costuma ser lembrado com mais nitidez quando você está na mesma situação ou estado. (...) Como corolário encontra-se a probabilidade muito maior de termos lembranças desagradáveis quando estamos tristes, e agradáveis quando estamos felizes. A chamada coerência entre a memória e o estado de ânimo é amplificada nos indivíduos deprimidos, que às vezes parecem apenas capazes de ter lembranças tristes."



Pelo mesmo motivo talvez gostemos de comemorar os aniversários de namoro no mesmo restaurante, ouvir a mesma música, etc. Por outro lado, há dias em que só Joseph Climber salva.
Fica a dica.



*Clique no nome do livro para acessar pdf em inglês.




sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O lugar do outro

Cena 1
Estou na escada rolante do metrô atrasada, querendo subir. Entendo que nem todo mundo foi ensinado a ficar do lado direito nas escadas rolantes. Peço licença a mulher à minha frente. Ela permanece imóvel. Penso que a moça deve ser um pouco mais jovem que eu, classe média aparentemente. Eu comento com a amiga que me acompanha,  "é comum nos outros países as pessoas ficarem automaticamente do lado direito". A moça que não deu passagem, sem olhar para trás, fala bem alto "Vai morar na Europa então!". O senhor atrás de mim comenta "O impressionante é que ela acha estar certa". Eu não falo nada e fico assim, com uma certa dó. É uma cena tragicômica vergonhosa.



Cena 2
Estou no ônibus, passo a roleta e começo a procurar meu dinheiro para pagar, não acho, ligo para meu marido que está mega ocupado, fica nervoso. Desligo. Falo com o trocador "Senhor, eu não estou achando meu dinheiro". Uma moça que estava sentada atrás de mim e assistiu meu drama, estende a mão com o dinheiro da passagem. Eu agradeço muito e falo que devo ter umas moedas. Ao abrir o moedeiro encontro o dinheiro. Devolvo agradecida o dinheiro da moça. É uma cena tragicômica com final feliz.

Darling, alma sensível*, não pense que somos apenas a moça da cena 2. Somos também a da cena 1.

*clique para ler A uma alma sensível, capítulo curtinho e magistral.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Relacionamentos gangorra

Percebo que grande parte dos relacionamentos é baseada na prática milenar da gangorra. Se um está por cima o outro necessariamente está por baixo. Veja que em termos de sexo isso pode até ser desejável. Na vida darling, eu creio que não. É preciso muita habilidade e coragem para transformar o relacionamento gangorra, em um relacionamento de plataforma. Imagine-se na gangorra, vamos supor que por hora você esteja embaixo. Você deve ser capaz de andar para o centro e seu companheiro também, tentando que o sobe-desce seja uma plataforma. Cada um equilibrando de um lado, deixando a gangorra em posição horizontal. É preciso amor, confiança e muita conversa. É sempre instável. Acho que vale a tentativa.